A Locomotiva número 12 é a representação de um país que parece insistir em repetir os mesmos erros
O Brasil carrega em sua história um problema que parece se repetir: o descaso com o dinheiro público, que resulta no abandono de centenas de obras pelo país e, muitas delas carregam consigo o quanto foi difícil chegarmos até aqui. As estradas de ferro, que ajudaram a desbravar essa nação e contribuíram para o desenvolvimento que temos hoje e que, poderiam ter proporcionado um avanço ainda maior, caso tivéssemos valorizado o que foi construído, é o símbolo de uma nação que não tem um projeto de futuro.

A Locomotiva número 12, também conhecida como “Coronel Church” ou “Old Collins”, que foi utilizada na ferrovia Madeira-Mamoré, famosa como Mad Maria, foi uma das muitas máquinas de ferro abandonas, sucateadas e quase transformadas em lixo. Se não fosse a perseverança daqueles que valorizam o passado, a Old Collins teria o destino de muitas outras locomotivas: transformadas em ferro-velho ou, simplesmente deixadas jogadas em qualquer canto para apodrecerem.
Coronel Chusch é um motivo de alegria e de tristeza ao mesmo tempo. Aos 148 anos, a história da Locomotiva número 12, construída na Filadélfia, pela Baldwin Locomotive Work e baseada nos projetos do engenheiro Henry Roe Campbell de 1837. Trazida para o Brasil, em 1878, pela empresa estadunidense P&T Collins, quase teve seu fim. A alegria vem do fato de, depois de muita luta, não dos políticos, a Número 12 ganhou o seu lugar merecido. Uma justiça por sua história e por tudo que fez pelo país.
A tristeza vem do fato de que a Old Collins poderia ter feito muito mais por esse país. A primeira máquina a vapor da região Norte do Brasil, foi maltratada, queimada, sucateada, serviu como forno de padaria e galinheiro. Quase virou lixo e foi através do esforço dos amantes das estradas de ferro que passou por restauração e hoje tem sua história pode ser contada. A número 12 é símbolo de resistência, mas, infelizmente, por estarmos em um país que não respeita seu passado, também pode ser tida como exemplo de como somos capazes de desrespeitar tudo que representa nosso desenvolvimento.
