Escrito durante várias décadas, entre momentos de maior inspiração e pausas quando necessário, vale a pena ler e se inspirar nessa história que poderia contar a vida de muitos ou de poucos
É provável que Aníbal Machado tenha começado e escrever seu único romance, João Ternura nos anos de 1920 e finalizado pouco antes de sua morte, em 20 de janeiro de 1964. Este é um livro de uma vida inteira, que poderia ser a história de inúmeros brasileiros, assim como pode retratar a vida de poucos. Entre momentos de maior inspiração e pausas quando achava necessário, Aníbal Machado deixou um livro fascinante, que merece ser lido e fazer parte de um espaço cativo nas estantes dos amantes da boa Literatura brasileira.
Antes de morrer, o escritor, nascido em Minas Gerais e amigo de outro mestre da nossa Literatura, Carlos Drummond de Andrade, incumbiu o poeta de cuidar da publicação de João Ternura, não podendo afirmar com certeza se Drummond fez alterações no texto, antes que a primeira publicação fosse lançada em 1965, quase um ano após a morte de Aníbal.
O que é certo dizer é que João Ternura narra conquistas, derrotas a luta pela liberdade e pela democracia. No intuito de crescer como pessoa, podemos acompanhar as perdas e os ganhos do personagem principal, em uma jornada épica de lutas e feitos dignos de um grande herói. A história de João ternura se mistura com os anos conturbados que o Brasil passou no passado, de toda a luta que se fez necessária para que pudéssemos crescer como sociedade e entender que é preciso criar meios para que todos possamos ter uma vida digna.
João Ternura é um romance de uma vida inteira, Aníbal Machado levou décadas para escrevê-lo e, com toda competência que o fez, é certo dizer que não foi mesmo necessário que o escritor publicasse mais nenhum livro.
