Dalton Trevisan é um dos melhores escritores do Brasil, talvez o único com uma escrita que foge as regras, econômico nas palavras, mas com poder de nos fazer imaginar e viajar quando estamos lendo
Antes de tudo, tenho que dizer que esse livro merecia um título melhor, O Vampiro de Curitiba não parece fazer justiça a excelente obra de Dalton Trevisan, um livro muito mais complexo, que o nome que lhe foi escolhido parece infantil ou ainda pior, muito bobo, em relação a história magnifica que nos é contada em 15 capítulos e 112 páginas, dependendo da edição e da editora.
Publicado pela primeira vez em 1965, O Vampiro de Curitiba segue a mesma linha de escrita de Trevisan, muito econômico com as palavras, mas com um capricho ímpar para contar uma história. É impossível não imaginar tudo que se passa ao ler um livro de Dalton, um dos maiores escritores do Brasil. E não seria diferente com O Vampiro de Curitiba.
Se você gosta de enigmas, suspense e de viajar pela imaginação, O Vampiro de Curitiba é o livro certo e um dos melhores que você irá ler com essas características. Nelsinho, o personagem principal tem um relacionamento conturbado com as mulheres. Ao longo de todo sua vida, existe mais desencontros do que encontros, se é que você entende o que quero dizer.
O vício de Nelsinho por sexo está presente em boa parte da obra, mas, também chama atenção a descoberta que fazemos sobre uma Curitiba em decadência. A narrativa de Trevisan, sempre coloquial e direta, sem a intenção de escrever páginas inúteis, é o que mais nos seduz. A vontade de resolver os enigmas, o suspense que nos é dado ao longo da história, faz de O Vampiro de Curitiba um dos melhores livros já escritos nesse país. E mais do que isso, faz de Dalton Trevisan um dos melhores escritores da nossa língua.
