Publicado 11 anos após a morte do autor, livro é uma importante filosofia sobre o que é a felicidade, além daquilo que podemos enxergar
Antes que eu seja chamado de estúpido, tenho conhecimento de que O Estrangeiro é o primeiro livro publicado por Albert Camus. Não sou um estudioso da obra do autor, apenas um leitor que é curioso para saber mais além daquilo que leio. E, nessas minhas pesquisas, buscando informações aqui e ali, eis que descobri que Uma Morte Feliz – que no Brasil foi traduzido como A Morte Feliz, o que, de certa forma desvirtua um pouco daquilo que o livro significa – foi escrito entre 1936 e 1938, sendo assim, o primeiro romance escrito pelo francês que é um dos maiores autores do absurdismo e, mesmo que Camus não gostasse de ser catalogado no gênero, também do existencialismo.
Uma Morte Feliz segue a mesma linha de escrita de O Estrangeiro, é bem provável que Camus deixou de escrever um para terminar o outro ou que tenha escrito os dois ao mesmo tempo e optado por publicar a história de Meursault, que, além de não parecer ter ficado triste com a morte da mãe, é um “estrangeiro” aos sentimentos mais comuns dos seres humanos. Essa hipótese, de ter escrito os dois romances ao mesmo tempo ou ter ter pausado a escrita de um para terminar o outro, somente o escritor poderia ser capaz de confirmar ou desafirmar.
Mas, sejamos diretos ao que realmente importa, Uma Morte Feliz foi publicado pela primeira vez em 1971, quase 11 anos após a morte de Albert Camus. Além da similaridade com O Estrangeiro e, por isso, recomendo que leiam os dois livros, Uma Morte Feliz não é autoajuda, mas é uma busca incessante da felicidade. Mas não essa felicidade que todos almejam ter. Camus deixa claro que para ser feliz, além de tempo, é preciso de dinheiro e de termos a consciência do que é ser feliz ou bem próximo disso. Para resumir, é mais provável que o romance seja mais sobre a vontade de ser feliz do que a felicidade literal.
Não por acaso, o personagem principal de Uma Morte Feliz se chama Patrice Mersault e sua história é dividida em duas partes. A primeira, mostra a monotonia da vida, um emprego para o qual Patrice não queria, ou talvez quisesse, o que sabemos é que é um emprego entediante e de pouco ganho financeiro. Intitulado de Morte Natural, a primeira parte do livro também nos traz o namoro sem graça de Patrice e de como sua vida é previsível. Já a segunda parte tem o título de Morte Consciente e, se você quiser saber mais, terá que ler o livro.
