Anvisa recebeu 65 notificações de mortes suspeitas por uso de medicamentos e investiga mais de 2.400 relatos de eventos adversos
A mais recente histeria ao culto do corpo magro (ou perfeito), está relacionado ao uso de medicamentos que ajudam a emagrecer, especialmente as canetas emagrecedoras. Com cerca de 60 mil academias no Brasil, um projeto de lei que trata desse assunto não deveria ser colocado em regime de urgência, já que, é sabido que para emagrecer com segurança, a melhor forma é a prática de exercícios físicos e muitos podem ser feitos no dia-a-dia e sem a necessidade de frequentar um dos milhares de estabelecimento destinado a essa finalidade. Acelerar a quebra de parente de medicamentos que, supostamente combatem a obesidade é um erro desmedido.
O Projeto de Lei (PL) do deputado federal Mário Heringer (PDT/MG) de número 68 do ano de 2026, que trata sobre a quebra de patente do Mounjaro e do Zepbound é um desserviço para um assunto tão complexo, levando em conta os riscos, tal qual a pancreatite e muitos outros. Acelerar a quebra de parente desses medicamentos é ainda pior e, diferente do que alega o parlamentar, não parece ser o melhor caminho para o combate a obesidade e as doenças causadas pelo sobrepeso. O regime de urgência do PL 68, significa, entre outras aberrações, a não apreciação da proposta pela Comissão de Saúde da Câmara.
Vários países da Europa, incluindo os que fazem parte do Reino Unido, já alertaram para riscos de uso das canetas emagrecedoras, sobretudo devido ao aumento de mortes por pancreatite, que inclusive já tiveram casos registrados no Brasil. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que sempre fez um bom trabalho, parece estar perdida em relação aos muitos medicamentos utilizados para emagrecer, sendo que muitos deles foram, proibidos. A celeridade em que algumas substâncias foram autorizadas é motivo de atenção, isso porque, já foram 65 notificações de mortes que podem estar associadas ao uso das canetas emagrecedoras e outros 2.436 relatos de de eventos adversos que a Anvisa afirmar não poder afirmar a relação direta com os medicamentos.
Com 60 mil academias é provável que muitos brasileiros já estão habituados as questões de que praticar exercícios físicos é o melhor caminho para uma vida saudável, sendo assim, cortar a etapa de um projeto de lei sobre saúde, essencial para a segurança da população, não parece ser uma decisão acertada, por mais que o deputado Mário Heringer afirme que quebrar as patentes do Mounjaro e do Zepbound irá trazer benefícios, inclusive para o Sistema Único de Saúde (SUS). Obviamente, tratar a obesidade significa evitar o surgimento de doenças relacionadas ao sobrepeso, mas, utilizar drogas para essa finalidade é um retrocesso que não se pode admitir.
