Dos governos de Geraldo Alckmin a Tarcísio de Freitas, ex-prefeito do Embu Das Artes, mantém ligações estreitas com políticos, que incluí seu aliado Marco Feliciano
A Justiça, por muitas vezes, segue por caminhos estanhos e sombrios, a política mais ainda, ao que podemos somar a falta de caráter de muitos dos nossos representantes. Os bastidores do poder contam com situações que até mesmo os maiores autores de ficção são capazes de se arrepiarem. Ney Santos é a prova vida da falha das instituições democráticas, um retrato obscuro do absurdo que são nossos governos. Mesmo com uma lista de condenações, incluindo assalto a mão armada contra um carro forte e, não é qualquer arma, e sim uma metralhadora de 9 mm e por formação de quadrilha e receptação, o ex-prefeito de Embu das Artes continua no cenário político de São Paulo e no meio evangélico, sendo o deputado Marco Feliciano, um de seus principais aliados.
Com uma fortuna estimada em mais de R$ 100 milhões, Ney Santos sempre foi apontado pelo Ministério Público de São Paulo como sendo um integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital). Envolvido no setor de postos de combustíveis, amplamente utilizado por traficantes para lavar o dinheiro do crime, Ney Santos é tido como um dos líderes do tráfico na Zona Oeste da capital paulista. A grande maioria das denúncias feitas pelo Ministério Público foram ignoradas pela Justiça, mesmo havendo indícios mais do que suficientes que demonstrem a vida criminosa do suposto empresário.
De Geraldo Alckmin até Tarcísio de Freitas, atual governador de São Paulo, Ney Santos tem um histórico de influência e de participação em campanhas eleitorais. Em um vídeo, quando ainda existiam esperanças da candidatura de Tarcísio para a presidência, em uma reunião pública em Embu das Artes, o chefe do poder executivo paulista, foi “lançado” ao voo maior e, segundo Ney Santos, com a necessidade de melhorar o Brasil. “Quem precisa de você agora é o povo brasileiro, porque você mostrou pro povo paulistano como se faz política pública de qualidade”, afirmou.
E não para por ai, Ney Santos é categórico: “agora eu tenho certeza que Deus está preparando esse momento pra você, porque o povo brasileiro precisa. A voz do povo é a voz de Deus e o Tarcísio será o nosso Presidente da República”. É importante frisar que, mesmo tendo passado em outras campanhas no governo estadual, essa parece ser a primeira vez que Ney Santos tem forte ligação com o mandatário, inclusive estando próximo de Tarcísio de Freitas em diversas reuniões públicas. Isso não se viu nas gestões de Geraldo Alckmin ou de outros ex-governadores.
Trajetória criminosa e política
A trajetória política de Ney Santos se confunde com suas condenações e as muitas investigações das quais foi alvo. Após sair da cadeia, se tornou empresário de sucesso no setor de combustíveis, tendo feito fortuna em pouco tempo e dar início a sua carreira bem-sucedida nos bastidores da polícia de São Paulo. Condenado por assalto a mão armada, ficou dois anos preso e absolvido em segunda instância, mesmo o Ministério Público paulista demonstrando alta periculosidade e indícios de participação ativa no tráfico de drogas. Assumir a prefeitura de Embu das Artes, só foi possível graças a um habeas corpus concedido pelo ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Marco Aurélio Mello. Naquela época, mesmo com provas suficientes de crime eleitoral, a Justiça fez o contrário do que deveria.
Aos 19 anos, foi condenado por receptação e formação de quadrilha. Depois de quatro anos, houve a segunda condenação, aquela que foi absolvido em segunda instância, por assalto a mão armada, tendo ficado pouco mais de dois anos preso. Promotores de São Paulo, sustentam que Ney Santos é um dos líderes do tráfico de drogas no Estado. Inclusive, há indícios suficientes que demonstram a utilização de seus postos de combustíveis para lavar dinheiro de diversas atividades criminosas, incluindo a venda de entorpecentes.
Em 2010, foi preso por lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, estelionato, formação de quadrilha e adulteração de combustíveis, em uma investigação que teve inicio com uma denúncia de compra de votos. O Ministério Público levantou a suspeita de que os postos de combustível, que tem Ney Santos como sócio, seriam utilizados para enganar a Justiça, fornecendo documentação falsa de emprego, para que presos do semiaberto conseguissem sair da prisão. Ney Santos tem fortes ligações no meio evangélico, que inclui o deputado Marco Feliciano.
