Lançado em 1976, pela PolyGram e produzido por Mazzola, compacto traz algumas das melhores músicas da MPB
São 50 anos de um dos mais importantes discos da Música Popular Brasileira. O grito de liberdade de Belchior, que, infelizmente não foi ouvido como deveria. Alucinação é transcendental, foi o rompimento com as canções de protesto que pouco se aproximava da vida comum do brasileiro que luta dia após dia pela sobrevivência.
“É nunca fazer nada que o mestre mandar”, nos anos de maior repressão contra a democracia, Belchior alertava que tudo tinha que ser Como o Diabo Gosta. Nunca reverenciar e desobedecer, mas, ao mesmo tempo, “amar e mudar as coisas” e saber que a única alucinação “é suportar o dia a dia” e os “delírios” precisam ser da “experiência com coisas reais”. E confesso que depois de alguns anos pensando sobre a vida, já “não estou interessado em nenhuma teoria, em nenhuma fantasia, nem no algo mais”.
Também deixou de fazer parte da minha rotina qualquer “melodia para acompanhar bocejos, sonhos matinais”. Depois de observar que nada mudou e que “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”, as lutas do cotidiano perderam o sentido, mas, ainda assim, confesso que, quando me perguntam “pela minha paixão, digo que estou encantado como uma nova invenção”.
E é assim, Alucinação é um disco com músicas não tão bem-produzidas, mesmo que, nos anos 70, Marco Mazzola fosse um dos melhores produtores musicais do Brasil, Belchior não parece ter tido a atenção que precisava e sua obra mais importante parece ter ficado meio descompassada em relação as melodias com as letras impactantes. “Mas nada é divino, nada é maravilhoso” e muito menos “secreto”.
No fim, tenho que reconhecer que “tudo muda e com toda razão”. Mas eu continuo sendo apenas aquele “sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior”. Não tenho muito do que reclamar e posso “me considerar um sujeito de sorte”. A vida segue seu curso e “assim já não posso sofrer no ano passado”.
Crédito da imagem em destaque: Wanderley Pozzembom/CB/D.A Press
