Contos de Rubem Fonseca deixam evidente que o Brasil ainda carece de na busca por soluções de seus problemas
Feliz Ano Novo, o título parece ser daqueles que desejam as boas novas. Para os desavisados, é como se carregasse essas ilusões de que tudo pode ser melhor quando o calendário fizer seu resete e dar início a mais 365 dias, 6 horas e alguns minutos, já que, nem mesmo o tempo que se passa todos os anos é contado de maneira exata. No entanto, o livro de Rubem Fonseca (1925-2020) está longe desses detalhes de juntar a família e torcer para que as coisas sejam melhores no ano que vem.
Os contos que compõe Feliz Ano Novo deixam evidente que ainda somos incapazes de buscar soluções para os muitos problemas que permeiam a sociedade. Mesmo que a obra tenha 50 anos, tudo parece ter sido escrito para os dias atuais. Feliz Ano Novo é um livro essencial para qualquer um que goste de uma boa leitura.
Além de tudo isso, trata-se de um exemplo clássico de como uma ditadura pode decidir o que podemos ou não ter acesso. Publicado pela Artenova, em 1975, o livro vendeu pouco mais de 30 mil copias, até ser proibido pelo Ministro da Justiça, Armando Falcão. Na época, alegando subversão, já que, Feliz Ano Novo narra de maneira real, os conflitos entre classes, passando por violência e tudo que envolve sexo. A censura veio com toda força possível durante o período da Ditadura Militar. Era um atentado a moral e aos bons costumes, isso na visão de Armando Falcão e todos os que comandaram o Brasil em um período sombrio.
Moral e bons costumes, parece irônico, tudo que o Brasil parece nunca ter tido, principalmente vindo de uma censura em que os líderes eram capazes de todo tipo de imoralidade, inclusive matar e sumir com os corpos das vítimas. Se você pretende ler Feliz Ano Novo e eu te recomendo que leia, é bom que esteja preparado para a realidade, porque a vida é sempre diferente das festas de final e começo de ano e, na maioria das vezes, o que muda é apenas um número no calendário.
