Apenas em janeiro de 2026, foram registradas mais de 80 mil medidas protetivas no Brasil. O índice mantém tendência de alta desde 2020, acumulando um salto de 184% até o último ano
O Brasil enfrenta uma escalada alarmante nos índices de violência de gênero. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelam que a tendência de crescimento, iniciada em 2020, consolidou-se nos últimos anos. O cenário é reflexo de um desmonte histórico em políticas sociais e programas de combate ao crime contra a mulher, além de cortes severos no orçamento destinado à proteção feminina em gestões federais anteriores.
O “Eixo da Violência”: São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná no topo
Os estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná concentram a maior parte das ocorrências. Dos 99.416 registros de crimes domésticos realizados em janeiro deste ano, os três estados somam 35.350 casos — o que representa 35,5% do total nacional.
Os três Estados também lideram os números a respeito das medidas protetivas. Em janeiro deste ano, já foram registrados 81.304 pedidos de proteção em favor das mulheres, sendo que, 53.933 foram concedidos (89% do total). São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná são responsáveis por 31.155 registros, 38,3% do total.
Explosão de casos e inércia estatal
A série histórica é drástica. Em 2020, o país registrou 336.538 pedidos de medidas protetivas. Em 2025, esse número saltou para 956.950, um aumento de 184%. O crescimento exponencial evidencia que o país se tornou um ambiente cada vez mais perigoso para as mulheres, enquanto os governos de São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná, líderes no ranking, pouco ou nada fazem em relação a diminuição da violência contra o sexo feminino e são ineficientes nas ações preventivas e de acolhimento.
Crimes de feminicídio somam mais de 47 mil em 6 anos
Os dados do CNJ expõem a face mais cruel da violência: o feminicídio. Entre 2020 e 2025, o Brasil registrou 47.878 assassinatos de mulheres. Em janeiro deste ano já foram registrados 947 casos. São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná, mais uma vez lideram as estatísticas.
É fundamental ressaltar que esses números referem-se aos processos que tramitam no Poder Judiciário. O número real de vítimas pode ser ainda maior, considerando a subnotificação e os casos que não chegam a virar processos judiciais.
