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A forja do Legendarium: Os 90 anos de Songs for the Philologists, considerado a primeira publicação de J. R. R. Tolkien

Acredita-se que existam apenas 14 cópias, sendo considerado um dos livros mais raros da história moderna

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John Ronald Reuel Tolkien — o célebre J.R.R. Tolkien — é amplamente considerado o pai da “alta fantasia”. Desde a publicação de O Hobbit (1937), o escritor britânico, nascido na África do Sul, conquistou legiões de fãs ao redor do globo. No cinema, a adaptação da saga O Senhor dos Anéis (iniciada em 2001), sob a direção de Peter Jackson, consolidou a popularidade de seu o Legendarium, vencendo 17 Oscars, incluindo os de Melhor Filme e Direção.

A relevância de Tolkien é inquestionável, transcendendo inclusive debates sobre anacronismos ou questões de representatividade. Mesmo para quem não é entusiasta do gênero, é impossível ignorar a magnitude do universo da Terra Média.

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Entretanto, o foco aqui é Songs for the Philologists, obra que muitos consideram a primeira publicação de Tolkien em formato de livro. Trata-se de uma compilação de poemas e canções editada em parceria com E.V. Gordon. Com textos em inglês e nórdico antigos, latim e gótico, pode ser considerado como a gênese do rigor filológico que daria vida às línguas élficas. Sem tradução para o português, a obra é uma raridade extrema: estima-se que restem apenas 14 cópias no mundo.

Embora a bibliografia tradicional do autor costume iniciar em O Hobbit, historiadores apontam Songs for the Philologists como o verdadeiro ponto de partida. Fruto de um trabalho experimental realizado na University College London para estudantes, o livro tem como destaque o poema The Root of the Boot. Escrito originalmente em gótico, o texto seria mais tarde reeditado como The Stone Troll em As Aventuras de Tom Bombadil.


A vida e o legendário de Tolkien

Os Primeiros Anos (1892 – 1914)

  • 1892: Nasce em Bloemfontein, África do Sul.
  • 1895: Muda-se para a Inglaterra com sua mãe e irmão.
  • 1904: Torna-se órfão após a morte de sua mãe, Mabel, sendo criado pelo Padre Francis Morgan.
  • 1911: Inicia seus estudos em Literatura e Língua Inglesa na Universidade de Oxford. Aqui, ele já começa a desenvolver suas próprias línguas (como o Quenya).

A Guerra e as primeiras sementes (1915 – 1925)

  • 1916: Casa-se com Edith Bratt e é enviado para a Primeira Guerra Mundial. Combate na Batalha do Somme, onde perde quase todos os seus amigos próximos.
  • 1917: Enquanto se recupera de uma febre de trincheira, começa a escrever A Queda de Gondolin e os contos que formariam O Silmarillion.
  • 1920: Torna-se professor na Universidade de Leeds.
  • 1925: É eleito Professor Rawlinson e Bosworth de Anglo-Saxão em Oxford.

O surgimento da Terra Média (1930 – 1954)

  • 1930: Em uma folha de exame em branco, escreve a frase famosa: “Num buraco no chão vivia um hobbit”.
  • 1936: Publicação de Songs for the Philologists (trabalho experimental com E.V. Gordon).
  • 1937: Publicação de O Hobbit. O sucesso é imediato, e a editora pede uma continuação.
  • 1937 – 1949: Período de escrita de O Senhor dos Anéis. O projeto cresceu tanto que Tolkien percebeu que não era apenas um livro infantil.

O ápice e a consagração (1954 – 1973)

  • 1954 – 1955: Publicação de O Senhor dos Anéis em três volumes: A Sociedade do Anel, As Duas Torres e O Retorno do Rei.
  • 1959: Aposenta-se de sua cátedra em Oxford.
  • 1960s: O movimento “hippie” nos EUA adota Tolkien como ícone cultural (surgem os botons “Frodo Lives”).
  • 1971: Morte de sua esposa, Edith. Tolkien grava o nome “Lúthien” em sua lápide.
  • 1973: 2 de setembro: J.R.R. Tolkien falece aos 81 anos. Em sua lápide, é gravado o nome “Beren”.

Legado póstumo (1977 – Presente)

  • 1977: Christopher Tolkien (seu filho) edita e publica O Silmarillion.
  • 2001 – 2003: Estreia da trilogia cinematográfica de Peter Jackson, elevando o trabalho de Tolkien a um nível de popularidade global sem precedentes.
  • 2022: Lançamento da série Os Anéis de Poder, explorando a Segunda Era da Terra Média.


Para quem quer aprofundar a experiência, a ordem recomendada divide-se entre o que ele publicou em vida e o que o seu filho, Christopher Tolkien, editou após 1973.

Do “Hobbit” ao “Silmarillion”

A base (Publicados em Vida)

  1. O Hobbit: O ponto de entrada ideal, com tom mais leve e de conto de fadas.
  2. O Senhor dos Anéis: A obra-prima. Deve ser lida na sequência (A Sociedade do Anel, As Duas Torres, O Retorno do Rei).

O mergulho profundo (Póstumos e Mitológicos)

Após a base, a leitura torna-se mais densa e académica:

  • O Silmarillion: É a “Bíblia” da Terra Média. Conta a criação do mundo e as guerras da Primeira Era. A linguagem é mais arcaica e épica.
  • Contos Inacabados: Uma coleção de textos que expandem histórias mencionadas n’O Senhor dos Anéis (como a origem de Gandalf ou o desastre dos Campos de Lis).
  • Os Três Grandes Contos: Christopher Tolkien expandiu notas do pai para criar três livros narrativos focados na Primeira Era:
    • Os Filhos de Húrin (O mais completo e trágico).
    • Beren e Lúthien.
    • A Queda de Gondolin.

Para investigadores (Nível Académico)

  • A História da Terra Média (12 volumes): Esta série (ainda em tradução integral em muitos países) mostra as várias versões que Tolkien escreveu para cada poema e capítulo. É aqui que se vê a evolução filológica mencionada em Songs for the Philologists.


O Silmarillion representa o alicerce fundamental, ou o “back-end”, de toda a cosmogonia de J.R.R. Tolkien. Longe de ser um romance convencional, a obra funciona como um compêndio mitológico e histórico que narra desde a criação do universo através de uma sinfonia divina — o Ainulindalë — até as trágicas guerras da Primeira Era pela posse das Silmarils, joias que continham a luz primordial

  1. A estrutura do livro (As 5 partes)

O livro é dividido em seções que cobrem desde a “Gênese” até o final da Terceira Era:

  • Ainulindalë: A Música dos Ainur. É o mito da criação. O mundo não é “construído”, ele é cantado à existência.
  • Valaquenta: Um “quem é quem” dos deuses (Valar) e semideuses (Maiar). Essencial para entender quem é Sauron (um Maia caído).
  • Quenta Silmarillion: O corpo principal. Narra as Guerras das Joias na Primeira Era.
  • Akallabêth: A queda da ilha de Númenor (a versão de Tolkien para Atlântida). Explica de onde vêm os ancestrais de Aragorn.
  • Dos Anéis de Poder e da Terceira Era: Um resumo que conecta os eventos do Silmarillion aos eventos de O Hobbit e O Senhor dos Anéis.

  1. Os Temas Centrais (O “Core” da Obra)

A queda e o orgulho (Hubris)

Assim como na tragédia grega, o motor da história é o orgulho. Fëanor, o mais talentoso dos Elfos, cria as Silmarils (três joias que capturam a luz divina). Ao se recusar a entregá-las e ao jurar vingança contra quem as roubou, ele desencadeia milênios de sofrimento para o seu povo.

Criação vs. subcriação

Tolkien acreditava que o ser humano, ao escrever ou criar, está exercendo um dom divino (Subcriação). No livro, isso é espelhado:

  • O Bem cria: Melodia, luz, árvores e vida em harmonia.
  • O Mal corrompe: O vilão original, Morgoth (mestre de Sauron), não consegue criar vida, então ele tortura e deforma o que já existe (origem dos Orcs).

O destino e o livre-arbítrio

Há uma tensão constante entre o que foi “cantado” na Música original e as escolhas individuais dos personagens. É um prato cheio para quem gosta de filosofia existencialista.

  • Não decore todos os nomes: Tolkien usa muitos nomes para o mesmo lugar ou personagem (em línguas diferentes). Foque nos protagonistas: Fëanor, Beren, Lúthien, Túrin e Eärendil.
  • Use o Glossário e o Mapa: Quase toda edição do Silmarillion tem um índice remissivo e mapas no final. Consulte-os sempre que se sentir perdido geograficamente.
  • Leia como Relato Histórico: Imagine que você está lendo as crônicas de um historiador antigo traduzindo manuscritos perdidos. Isso ajuda a aceitar o tom mais solene e menos focado em diálogos.


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Vanderson Freizer

Escritor e Bloger

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