Os 50 anos do assassinato de Zuzu Angel: O legado de uma mãe que costurou a resistência
Política
24 de março de 2026
Da importância para a moda brasileira, à luta para dar um enterro digno ao corpo do filho, uma história transcende o tempo
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No dia 14 de abril de 1976, o Brasil perdia Zuleika de Souza Netto — a Zuzu Angel. Nascida em Curvelo, Minas Gerais, em 5 de junho de 1921, a estilista foi vítima de um atentado planejado pela Ditadura Militar. O motivo para silenciar uma das maiores artistas do país foi sua busca incansável pelo corpo do filho, Stuart Edgar Angel Jones, assassinado de forma covarde por agentes do Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica (CISA), em 1971.
O que você vai ler neste texto:
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A Reparação Histórica: O reconhecimento tardio do Estado brasileiro sobre o atentado que a vitimou em 1976 e a retificação de sua certidão de óbito.
Pioneirismo na Moda: Como Zuzu rompeu com os padrões europeus para criar uma identidade visual autenticamente brasileira, utilizando rendas, chitas e pedras nacionais.
O Luto Combativo: A transformação de sua arte em arma de denúncia após o desaparecimento de seu filho, Stuart Angel, destacando o icônico desfile de 1971 em Nova York.
Confronto com a Ditadura: A coragem de uma mãe que usou sua influência internacional para enfrentar o regime militar em busca da verdade.
Legado: A permanência de Zuzu como símbolo de que a arte e a moda são indissociáveis da realidade social e dos direitos humanos.
A importância de Zuzu Angel para a moda brasileira e a luta para enterrar de forma digna o filho assassinado pela Ditadura Militar
Durante décadas, a morte de Zuzu foi tratada oficialmente como um simples acidente de carro na Estrada da Gávea, no Rio de Janeiro. Hoje, o túnel onde ocorreu o crime leva seu nome, eternizando sua memória no mapa da cidade. Embora a Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos tenha reconhecido o atentado em 1998, a justiça completa tardou: a retificação oficial de sua certidão de óbito, atestando “morte violenta causada pelo Estado”, foi entregue apenas em 29 de agosto de 2025.
A estilista da identidade brasileira
Antes de se tornar um símbolo político, Zuzu foi uma visionária. Em uma época em que a elite brasileira mimetizava obsessivamente a moda parisiense, Zuzu ousou olhar para dentro. Foi pioneira ao elevar a renda renascença, a chita, o fuxico e as pedras brasileiras ao status de alta costura nas passarelas internacionais. Sua moda era solar, tropical e autêntica — uma trajetória vibrante que foi bruscamente obscurecida pelo cinza da repressão.
A moda como arma de denúncia
A importância de Zuzu transcende o design; ela provou que a roupa é um manifesto. Com a prisão e tortura de Stuart, seu trabalho mudou drasticamente de tom. No icônico desfile de Nova York, em 1971, ela chocou o mundo ao transformar elementos bucólicos em símbolos de protesto:
Sóis quadrados: a visão fragmentada de quem está atrás das grades.
Pássaros engaiolados e tanques: bordados delicadamente em vestidos de seda para denunciar a violência militar.
O uso do preto: o luto que ela passou a carregar no corpo e em suas coleções.
A busca pelo corpo: Uma luta de Sísifo
Após o assassinato e desaparecimento de seu filho, Stuart Angel, em 1971, a estilista utilizou sua rede de contatos na elite e seu prestígio no exterior para furar o cerco da censura brasileira. O ápice dessa luta ocorreu no desfile em Nova York, onde ela utilizou novas técnicas como protesto,já mencionado no texto acima.
A segunda metade de sua vida foi dedicada a uma missão solitária e perigosa: localizar os restos mortais de Stuart para lhe dar um enterro digno. Zuzu tornou-se a primeira voz individual a confrontar diretamente o Estado, utilizando seu trânsito internacional para entregar dossiês a autoridades estrangeiras, como o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Henry Kissinger. Ciente dos riscos, deixou um bilhete profético:
“Se eu aparecer morta, por acidente ou outro meio, terá sido obra dos assassinos do meu amado filho”.
O Legado: O anjo que não se calou
Zuzu Angel partiu sem realizar o desejo de sepultar o filho, mas deixou uma lição indelével: a de que a arte e a moda não podem ser alienadas da realidade social. Hoje, ela é lembrada como a estilista que deu rosto ao Brasil e a mãe que deu voz aos silenciados. Sua coragem pavimentou o caminho para que a busca pela verdade sobre os desaparecidos políticos se tornasse, décadas depois, uma pauta inegociável da nossa história.
Carta de Angel Jones para a mãe, uma das passagens mais tocantes da história
Mãe, Você me pergunta se eu acredito em Deus e eu te pergunto, que Deus? Tem sido minha missão te mostrar Deus dentro do homem, pois, somente no homem ele pode existir.
Não há homem pobre ou insignificante que pareça ser, que não tenha uma missão. Todo homem por si só influencia a natureza do futuro. Através de nossas vidas nós criamos ações que resultam na multiplicação de reações.
Esse poder, que todos nós possuímos, esse poder de mudar o curso da história, é o poder de Deus. Confrontado com essa responsabilidade divina eu me curvo diante do Deus dentro de mim.
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