Em 2026, STF e o COAF integraram suas bases de dados para monitorar a compatibilidade entre a renda declarada e a ostentação nas redes sociais
Desde 2024, a Polícia Federal e Polícias Civis de vários Estados vem travando uma uma ofensiva sem precedentes das forças de segurança contra criadores de conteúdo. A atuação deixou de focar em crimes individuais para desarticular organizações criminosas que utilizam a audiência digital como ferramenta de fraude.
De lavagem de dinheiro para o narcotráfico, a formação de quadrilha, muitos foram os crimes registrados nas operações das forças de segurança nos últimos anos.
Os crimes mais frequentes:
- Exploração de Jogos de Azar (Bets/Tigrinho): Promoção de plataformas sem licença que utilizam algoritmos viciados (“contas demo”) para enganar seguidores.
- Lavagem de Dinheiro via Rifas: Uso de sorteios de carros de luxo e dinheiro para “limpar” capitais de origem ilícita. Muitas vezes, os prêmios são entregues a “laranjas” (pessoas ligadas ao próprio influenciador).
- Crimes contra a Economia Popular: Indução ao endividamento de seguidores vulneráveis através de promessas de lucro fácil e garantido.
- Obstrução de Justiça e Desinformação: Contratação de influenciadores para ataques coordenados a instituições públicas (como o Banco Central) para desviar o foco de investigações financeiras.
A Justiça vem tentando fazer com as leis brasileiras possam chegar aos praticantes de crimes pela internet e em março deste ano, o STF (Supremo Tribunal Federal), através do ministro André Mendonça, reforçou que a influência digital não é um “escudo” contra a lei. A organização criminosa, liderada por Daniel Vorcaro, também chegou aos influenciadores. Em um esquema de milhões, o Banco Master pagou para um grupo de pessoas atacarem o Banco Central e propagar notícias favoráveis as suas empresas. Esse foi um dos motivos para a manutenção da prisão preventiva de Vorcaro e de operadores de rifas, afastando o risco de destruição de provas digitais e na continuidade da prática criminosa através de perfis reservas.
Banco Master e o “Protejo DV”
O ápice da instrumentalização de influenciadores ocorreu durante o processo de liquidação do Banco Master. Autoridades como o vereador Rony Gabriel (Erechim/RS) denunciaram terem sido procurados para participar da rede de desinformação sob o pretexto de “gestão de crise”.
A Polícia Federal identificou o “Projeto DV”, uma rede de cerca de 40 perfis (somando 36 milhões de seguidores) contratados para defender o banqueiro e atacar o Banco Central após a intervenção em sua instituição. Cachês variavam de R$ 250 mil a R$ 2 milhões, com contratos de confidencialidade que previam multas de R$ 800 mil em caso de vazamento.

As operações mais recentes que envolve a Polícia Civil e Federal aconteceram em março, resultando em bloqueio de dinheiro, prisões e detenções de influenciadores por porte de drogas e de arma de fogo.
- Operação no Rio Grande do Norte (18/03/2026): Diversos influenciadores foram presos preventivamente em uma operação da Polícia Civil contra rifas ilegais. A ação resultou no bloqueio de R$ 14,8 milhões e mirou perfis que promoviam sorteios sem autorização.
- Caso de Alta Velocidade em Campinas (20/03/2026): Um influenciador com quase 700 mil seguidores foi preso após postar vídeos dirigindo a 283 km/h. Ele é investigado por crimes de trânsito, adulteração de placas e apologia ao crime.
- Operação em Sorocaba (20/03/2026): Um casal de influenciadores foi alvo de uma operação do Gaeco e da Polícia Militar em um condomínio de luxo, também ligada a plataformas de “cassino virtual”.
Status de Casos Famosos de 2025
- José Roberto (Nanam Premiações): De acordo com as últimas atualizações da Operação Falsas Promessas, ele continua detido. A Justiça negou pedidos de liberdade por considerá-lo um dos líderes do esquema de lavagem de dinheiro para o narcotráfico através de rifas.
- Franklin Reis e Alexandre Tchaca: Foram liberados pela Justiça para responder em liberdade, mas cumprem medidas cautelares (como proibição de sair da cidade e de promover sorteios online).
- Maumau ZK e Gato Preto: Após a Operação Desfortuna (agosto/2025), a maioria dos envolvidos conseguiu liberdade provisória, mas seus bens (carros de luxo e contas bancárias) seguem bloqueados pela Justiça.
A mudança das atuações da Polícia Federal e das Polícias Civis de vários Estados foi o ponto principal para que nos últimos dois anos o número de influenciadores tivessem um salto significativo e vários tipos de crimes pudessem ser identificados.
Principais Causas de Detenção:
- Obstrução de Justiça: Campanhas de desinformação coordenadas.
- Jogos de Azar e Cassinos Online: Promoção de plataformas ilegais (ex: “Jogo do Tigrinho”).
- Lavagem de Dinheiro: Uso de rifas digitais e empresas de fachada para ocultar bens.
- Crimes contra a Economia Popular: Manipulação de sorteios e resultados.
Muito ainda precisa ser investigado, sobretudo no caso do Banco Master. A A investigação mira cerca de 40 influenciadores que, juntos, somam 36 milhões de seguidores. Os nomes que vieram a público através de vazamentos processuais incluem figuras que fizeram defesas enfáticas da “liberdade econômica” e críticas diretas ao Banco Central em fevereiro e março de 2026.
A maneira como atuavam era muito simples: recebiam um roteiro que não parecesse com publicidade bancária comum, mas uma “análise de mercado” que, por coincidência, atacava as instituições que fiscalizavam Vorcaro. Os que declararam terem sido pagos, com investimento que passaram de R$ 2 milhões, estão sendo indiciados por sonegação fiscal e lavagem de dinheiro, além de possível obstrução de Justiça.
